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3º dia de Alta-Costura Fall/Winter 26/27

3º dia de Alta-Costura Fall/Winter 26/27

13 Jul

Confira coleções de tirar o fôlego e os debuts que deram o que falar no penúltimo dia da semana de alta-costura de Paris!

O terceiro dia chegou entregando absolutamente tudo! A passarela foi dominada por estreias super aguardadas e uma verdadeira aula de savoir-faire. Mas se você perdeu o que rolou no 1º dia e no 2º dia, corre lá para conferir! Assim você não perde o fio da meada e acompanha a nossa review completa.

BALENCIAGA

Pierpaolo Piccioli transformou o pátio da Cité Internationale Universitaire com a sua aguardada estreia na Balenciaga. O estilista deixou de lado a pegada de streetwear e as provocações recentes da grife para resgatar o coração da alta-costura. A coleção foi uma verdadeira carta de amor, unindo o romantismo de Piccioli à essência original da marca e à obsessão de Cristóbal por formas exatas e arquitetônicas.


Sob o sol do meio-dia, a passarela entregou um mix perfeito de texturas maximalistas em silhuetas minimalistas. O savoir-faire uniu alfaiataria rigorosa e modelagens fluidas na mesma peça, destacando casacos de cashmere moldados à mão e tecidos inovadores como o AMSilk (uma seda bioengenheirada). A grande surpresa ficou por conta da cartela de cores super vibrante. Foi uma quebra e tanto para quem já estava acostumado com a longa fase de tons escuros e neutros da grife. Aqui, as cores funcionavam literalmente como o próprio traço do desenho.


O desfile entregou peças de tirar o fôlego com um gigantesco vestido com 24 mil pétalas de gazar esvoaçantes e o capuz escultural de penas de galo usado por Gigi Hadid. Após Anok Yai fechar a apresentação num deslumbrante vestido de noiva trapézio, o grand finale emocionou. Piccioli agradeceu ao lado de todos os seus artesãos de jaleco branco, lembrando que a moda, no fim das contas, é feita por pessoas.

ROBERT WUN

Para lidar com a exaustão de dois anos e meio de trabalho sem pausas, Robert Wun transformou a passarela em uma viagem surrealista pelos arquétipos da infância, só que com um olhar super adulto. Inspirado pelo mestre da animação Hayao Miyazaki, o estilista mergulhou na sua própria estética “dark” para provar que os contos de fadas também têm suas sombras e complexidades.


A coleção evoluiu como uma criança crescendo. Tudo começou com looks brancos e respingos de tinta, até chegar em formas rígidas e estruturadas em colorblocking. O desfile também trouxe uma Branca de Neve de veludo azul retorcido, sem esquecer do vestido sereia vermelho que ganhou um look gêmeo desfilado pela Cardi B.


A nostalgia dos quartos de brinquedo bateu forte com jaquetas imitando orelhas de ursos de pelúcia gigantes e capacetes espaciais. O grand finale foi pura técnica com looks de alfaiataria cruzando a sala com balões reais integrados às roupas, simbolizando o quão rápido a infância passa.

ELIE SAAB

Na contramão da moda que busca cada vez mais o estilo casual, Elie Saab não segue essas regras e se inspira na magia dos bailes de máscaras para a sua nova coleção. Com referências a festas lendárias, como o icônico baile de Truman Capote, e estrelas como Elizabeth Taylor, o estilista libanês provou que a máscara não serve para esconder, mas sim para transformar e revelar novas facetas de quem a veste.


Em vez dos bordados super densos, o luxo brilhou através dos tecidos, plissados esculturais e de um belo trabalho de cores em dégradé, indo dos tons de champanhe para o rosa e o rubi. A coleção também trouxe vestidos de organza que imitavam as nuvens de Magritte e silhuetas em alusão à famosa Rosa Meditativa de Salvador Dalí, que virou o fio condutor da coleção.


Além dos clássicos vestidos, a grande novidade foi a inclusão de smokings e peças de alfaiataria. Para fechar o desfile, a noiva surge como uma verdadeira ilusão de ótica, vestindo um espartilho furta-cor e saias brilhantes em camadas de champanhe, dourado e cristal.

JEAN PAUL GAULTIER

Na sua grande estreia, Duran Lantink transformou a passarela num laboratório. Ele misturou a extravagância de Maria Antonieta com um futurismo alienígena, usando o arquivo histórico da grife como material para ser totalmente distorcido e reinventado.


A coleção desafiou a anatomia e a gravidade. Com exoesqueletos flexíveis impressos em 3D, o estilista criou volumes extremos. O ponto alto foi o modelo Leon Dame vestindo uma carapaça derretida, criada a partir de um escaneamento 3D do seu próprio torso. Tudo seguiu uma vibe de disfunção, onde a fantasia deixou a praticidade totalmente de lado.


O famoso sutiã de cone passeou pelo corpo, antigas jaquetas viraram patchworks e tubos jorravam cascatas de tule. Lantink provou que a moda do futuro nasceu para abraçar o impossível.

ZUHAIR MURAD

Para apresentar a coleção Love and Dominion, Zuhair Murad transformou o histórico Collège des Bernardins em um verdadeiro conto de fadas dark. O estilista nos convidou para um passeio em um jardim secreto noturno, e a grande inspiração foi uma musa conceitual, que não se rende, mantendo sua essência e força intactas mesmo no caos.


O trabalho artesanal brilhou absoluto na noite! O destaque ficou para um casaco de cetim que exigiu 2.500 horas de bordados minuciosos, além de peças onde rosas pareciam brotar do veludo. Entre tules, capas de plumas e muita pedraria, a grife entregou uma fluidez e movimento que trouxeram uma leveza para a passarela.


O styling ficou por conta das borboletas. Muito além de meros enfeites, elas funcionaram como o código secreto da coleção, cobrindo os cabelos, os tecidos e até a boca das modelos de forma super inusitada, fechando o desfile com um toque lindo e poético sobre transformação.

MANISH MALHOTRA

Manish Malhotra fez sua grande estreia transformando saudade em arte. Com a coleção “Maa” (Mãe), o estilista indiano entregou uma verdadeira carta de amor à sua falecida mãe. A passarela contou com atmosfera intimista, com luz vermelha e o som de batimentos cardíacos ecoando pelo ambiente.


Dividida em quatro atos, a apresentação começou focada na proteção, trazendo volumes esculturais e capas ovais que funcionavam como um casulo. Aos poucos, as silhuetas ganharam drapeados fluidos e leves. O auge do trabalho manual foi quando o artesanato indiano tradicional tomou conta da passarela!


A coleção trouxe uma estética de ficção científica, com destaque para um casaco plissado bordado com figuras em 3D de mãe e filho se abraçando. Vimos também vestidos estruturados imitando braceletes empilhados, uma homenagem moderna à paixão da mãe do estilista por pulseiras.

E assim fechamos o penúltimo dia! Sinceramente? As estreias roubaram a cena. Ver o Pierpaolo resgatar o romantismo na Balenciaga e o Duran Lantink nos lembrando que a alta-costura precisa dessa ousadia. Confesso que já bate aquela dorzinha no coração com a nossa cobertura chegando ao fim... Mas calma que ainda não acabou! Te espero aqui no quarto e último dia para fecharmos essa temporada de Paris com chave de ouro!

Graduanda em Moda, formada em Consultoria de Imagem e Coloração Pessoal. Fascinada pelo universo fashion, tendências e pesquisas de moda. Apaixonada por fotografia, viagens, música, Disney e Van Gogh.


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