Esqueça tudo o que você sabe sobre moda! Vem conferir os melhores momentos que abriram a semana de alta-costura.
A Haute Couture (Semana de Alta-Costura) em Paris é o evento que dá o start na temporada mais luxuosa do universo fashion. Ou seja, é o momento das peças exclusivas e sob medida, feitas à mão com técnicas artesanais que levam milhares de horas para nascerem. É a hora em que os estilistas ousam sem limites, misturando tecidos, materiais e até tecnologia para criar obras de arte que a gente simplesmente ama!
Imagina juntar alta-costura, física quântica e o espaço sideral. Parece loucura? Pois foi exatamente isso que a estilista Iris van Herpen fez. No icônico Élysée Montmartre, com um clima dramático de luzes e um chão “fervendo” com gelo seco, ela apresentou a coleção Sonic Starquakes.
O ápice do desfile foi o vestido Helix Nebula, que trouxe pela primeira vez à moda o plasma, a própria essência das estrelas e das auroras boreais. Envolto por 30 mil esferas de vidro, a peça reagia ao campo magnético da modelo com uma dança hipnótica de luzes neon. Já o look Fractal Universe foi além, forjado em um acelerador de partículas a 100 graus negativos, o vestido descarregou energia sozinho antes do desfile, desenhando raios que imitavam raízes e veias na superfície espelhada.
Van Herpen provou que o seu trabalho vai muito além do tecido, é ciência, guiando-nos para uma alta-costura que não é apenas algo que se veste, mas uma atmosfera pura que se sente.
Daniel Roseberry abriu a Semana de Alta-Costura de Paris com a coleção The Abyss, no Petit Palais, respondendo à maior provocação do momento, a Inteligência Artificial conseguiria criar alta-costura?
Para mostrar que a mente humana é insubstituível, a Schiaparelli trocou a clássica seda por uma verdadeira experiência. Com a ajuda de um ateliê de cinema, o silicone hiper-realista virou a “nova pele” da moda. A passarela entregou corpetes que pulsavam luz de dentro para fora, jaquetas de látex, tentáculos e modelos com guelras nas costas. O artesanato contou até com bordados de escamas de peixe e flores reais preservadas em água e açúcar!
A cartela de cores direto no fundo do mar, destacando tons de rosa, violeta, laranja e menta, que contrastavam perfeitamente com o preto e o icônico dourado da grife. O sucesso foi tão imediato que, no mesmo dia, Zendaya já roubou a cena na première do filme “A Odisseia”, em Londres, usando o look final da coleção.
No fim, a Schiaparelli nos lembra que a verdadeira beleza nunca é óbvia, ela precisa ser subversiva, intensa e ter sempre aquela pitada de perigo.
No meio do Musée Rodin, em Paris, a Dior montou uma estufa espelhada. O cenário uniu as duas casas da escultora Lynda Benglis (a grande musa da coleção): Ahmedabad, na Índia, e o Novo México. Dessa conexão indiana, surgiram fragmentos raros de chita (chintz) do século XVIII revestindo as bolsas Lady Dior mini e Petit Dîner.
A influência de Benglis invadiu as roupas. A escultura Goliath virou um vestido prateado em formato de laço, enquanto os pavões da série Peacock inspiraram leques gigantes aplicados aos looks. Pinceladas de Berthe Morisot, Lucio Fontana e uma noiva rendada à la Gustav Klimt.
Para completar, o diretor criativo Jonathan Anderson desconstruiu clássicos da marca. A icônica jaqueta Bar perdeu a rigidez, ganhando conforto de “pijama chique”, e o casaco Arizona (1948) ressurgiu em cashmere vermelho. Saíram os espartilhos, entraram drapeados, cortes em viés, tricôs e um styling super moderno com bordas desfiadas e forros aparentes. E um detalhe: Anderson entregou essa coleção inteira logo depois de vestir Taylor Swift para o seu casamento!
Se a alta-costura parece intocável, Julie de Libran a levou direto para a nossa rotina de bem-estar. A estilista fez seu desfile no recém-inaugurado Studio Rituel, na Margem Esquerda de Paris, convidando os convidados a tirarem os sapatos e se acomodarem entre os aparelhos de Pilates. As modelos desfilavam e até davam umas alongadas durante a apresentação.
A coleção abraçou totalmente essa fluidez. Pensando no conforto do corpo e a clareza da mente, Julie apostou em silhuetas mais rentes à pele e transparências estratégicas. O destaque ficou por conta das texturas, um vestido decote coração feito de ráfia com lantejoulas, sedas e fios metálicos que balançavam a cada passo.
Para completar, a alfaiataria ganhou uma pegada moderna. Misturando um colete felpudo de tricô com uma jaqueta de corte reto, transformou um casaco de marinheiro (peacoat) em um modelo cropped de cloqué dourado, e modernizou peças com rede bordada. E o mais legal de tudo? A coleção abraça o upcycling, transformando tecidos antigos em algo totalmente novo.
Sabe aquela fronteira que separa a moda da arquitetura e da arte? Rahul Mishra simplesmente apagou essa linha. Com a sua coleção Devi (Deusa), o estilista indiano nos levou para uma verdadeira viagem no tempo, apresentando o que ele mesmo definiu como seu trabalho mais inspirado na Índia até hoje.
Mergulhando fundo nas raízes do seu país, Mishra transformou a passarela em um experimento 3D, provando que os designers de alta-costura são os verdadeiros escultores da moda atual. A inspiração veio de cavernas monumentais e templos milenares. O grande estalo do estilista foi perceber que, na antiguidade indiana, o corpo não era escondido, era celebrado. E a coleção seguiu exatamente essa filosofia.
Para criar cada peça, Mishra literalmente esculpiu com fios. Em vez de subtrair a pedra, ele acumulou milhares de horas de bordados manuais e cristais para recriar texturas que pareciam granito e cobre. O resultado foi surreal! No fim das contas, mais do que uma coleção de moda, Devi foi um verdadeiro tributo ao legado indiano.
Na correria do dia a dia, a gente quase sempre esquece do privilégio que é simplesmente estar aqui. A dupla de pai e filho, Georges e Jad Hobeika, fez questão de resgatar isso na coleção “O Visitante”. Inspirados pelo poema Instructions Before Visiting Earth, eles entregaram um guarda-roupa super iluminado e leve, feito para nos lembrar de nunca banalizar a beleza do mundo.
A Maison transformou seus códigos clássicos em poesia. O bordado, uma grande assinatura da marca, ganhou miçangas iridescentes e acabamento espelhado. Ele se mistura com perfeição à renda, ao cetim e à organza. Tudo isso em uma paleta que viaja do azul do céu às profundezas do oceano, ganhando respiros de bege e um verde-menta.
Mas o que realmente roubou a cena foram os detalhes: besouros esculpidos em prata e ouro, caracóis e orquídeas desabrochando viraram brincos ou enfeites nos sapatos. No fim das contas, Georges e Jad provaram que a alta-costura vai além, ela serve para nos fazer parar, respirar e celebrar os pequenos momentos.
Ufa! Acompanhar esse primeiro dia de Alta-Costura foi de uma experiência espacial até um momento super zen de pilates no meio da correria parisiense. Isso só prova que o luxo, hoje, tem tudo a ver com sentimento, experiência e a forma como a gente escolhe viver o mundo. Depois de toda essa imersão, qual dessas coleções roubou o seu coração?