Vem conferir as coleções e os momentos que marcaram o segundo dia da semana de alta-costura!
Bem-vindos de volta! Se você caiu de paraquedas por aqui e perdeu tudo o que rolou no 1º dia, pausa tudo e corre lá para conferir antes, porque é leitura obrigatória, viu? Neste segundo dia, o ritmo continua super intenso nas passarelas com muita ousadia e criações maravilhosas que vão te deixar de queixo caído.
Matthieu Blazy transformou a passarela em um verdadeiro livro de histórias com a coleção Gaby and the Beanstalk. A inspiração veio de um livro de fábulas encontrado no antigo apartamento de Coco Chanel, o que fez Blazy imaginar se a própria trajetória de Gabrielle, do orfanato ao topo da moda, não seria o seu próprio conto de fadas da vida real.
O Grand Palais virou um jardim encantado, tomado por videiras gigantes e flores coloridas. A primeira modelo abriu o desfile de renda guipure transparente imitando brotos de feijão, carregando o livro original. Nas roupas, Blazy focou na libertação do corpo, unindo a clássica alfaiataria da maison com modelagens super fluidas. A coleção trouxe costuras vazadas, musselina transparente e o que a grife chamou de histórias secretas: forros pintados à mão e bilhetinhos costurados por dentro das peças.
Mas quem roubou a cena foram os acessórios! De forma lúdica, vimos bolsas de urso adormecido, galinhas com ovos de ouro e clutches incríveis de feijões mágicos e livros antigos. Isso sem falar nos ovos dourados escondidos como verdadeiros easter eggs nos saltos, pingentes e unhas das modelos!
Depois de uma temporada de especulações digitais e de uma experiência com inteligência artificial, Alexis Mabille voltou ao mundo real provando que a criatividade manual não tem limites. Em sua nova coleção, ele entregou uma proposta super completa e tecnicamente exigente. O conceito foi uma verdadeira dose dupla na passarela, onde cada criação foi pensada para se transformar em um segundo look ali mesmo, ao vivo.
A princípio, a coleção parecia focar na contenção. As modelos entraram num ritmo acelerado e vestindo silhuetas todas pretas. Mas, com a ajuda de assistentes, os vestidos estilo casula e macacões eram virados do avesso. Num piscar de olhos, o que era minimalista dava lugar ao savoir-faire, revelando vestidos prateados, bordados e drapeados.
Foi a maneira brilhante que Mabille encontrou para abraçar sua dualidade interna, apresentando duas personalidades diferentes ao mesmo tempo. O grande finale foi um vestido com volume meio abóbora se abrindo para revelar um look de noiva impecável em renda Chantilly branca. No fim das contas, a alta-costura mais parisiense de todas é a versatilidade das peças modulares.
Stéphane Rolland transformou o icônico teatro Olympia em emoção e nostalgia para homenagear a lendária cantora Dalida, marcando os 40 anos de sua partida. O desfile passou longe de ser uma simples recriação de figurinos, foi uma tentativa de capturar a alma e a presença da artista. Com um cenário imersivo que exibia fotos e vídeos da estrela, a coleção celebrou a fase pré-disco da cantora, focando na elegância atemporal e fragilidade.
Rolland brincou com a leveza e o movimento, usando tecidos como crepe, gazar, chiffon e organzapara criar um contraste perfeito entre silhuetas superestruturadas e volumes esvoaçantes. O savoir-faire ficou por conta dos detalhes, peças adornadas com plumas de avestruz, macramês intrincados e bordados feitos com cristais de rocha, diamantes e até silicone dourado. Conforme o desfile avançava, a paleta de cores ia ganhando profundidade.
A coleção foi sobre o drama controlado e a postura de quem sabe dominar um ambiente. E falando em dominar o palco, o grand finale não poderia ter sido mais impactante! O desfile se encerrou com uma performance surpresa da cantora tunisiana Oumaima Taleb, acompanhada por uma orquestra ao vivo que arrepiou o público.
Ronald van der Kemp levou a alta-costura direto para as calçadas do Marais, transformando o desfile numa exposição ao ar livre. O estilista holandês armou uma verdadeira exposição itinerante entre duas galerias de arte. Na contramão da IA e da moda acelerada, ele apostou no analógico para inspirar quem passasse pela rua, seja cliente ou não.
Inspirado no The Factory de Andy Warhol, o estilista fez do ateliê um laboratório super intuitivo. Com os materiais que já tinha, criou um mix que ia de conjuntinhos anos 40 e jeans punk a vestidos feitos de minúsculos retalhos. O grande destaque foi o look escultural de patchwork em tweed, apelidado de “o mullet dos vestidos”.
Mas a genialidade mesmo rolou nas texturas! Bancando o cientista maluco, van der Kemp uniu artesanato e impressão 3D em saias com brilho de sereia. Para provar que não precisamos produzir mais do zero, ele reciclou um antigo vestido de Kylie Jenner em uma peça 100% inédita.
Para celebrar os 20 anos da marca, a coleção A Different Skin foi inspirada em bailes surrealistasdos anos 50 e 70, com direito a referências a Salvador Dalí. O desfile monstra como a roupa deixou de ser só adorno. Ela virou uma ferramenta de storytelling, que molda a nossa postura e entrega, literalmente, uma “outra pele” para a nossa narrativa.
Na passarela, o que vimos foi história, mistério e uma fantasia teatral. As modelos pareciam convidadas que ficaram tanto tempo no baile que começaram a se misturar com a própria decoraçãodo salão. As silhuetas apostaram forte em formas literais e esculturais. A passarela entregou desde um minivestido de couro idêntico a uma boneca de porcelana quebrada até um look transparente marcante com gola elizabetana e sombrinha coberta por um longo véu. O grande destaque visual foi um vestido tubinho imitando a pelagem de um cervo, trazendo pequenos chifres saindo das costas.
Em sua segunda coleção solo, Silvana Armani provou que a alta-costura não precisa gritar para ser inesquecível. A coleção Boudoir fugiu dos espetáculos extravagantes da temporada e apostou num clima super intimista. Indo na contramão das outras grifes, a estilista entregou uma proposta bem pé no chão, onde a sensualidade nasce puramente da discrição e do conforto.
A grande protagonista da noite? A calça. Peça curinga no guarda-roupa da própria estilista, ela surgiu como a espinha dorsal da coleção, com cinturas altíssimas e recortes ultraprecisos em cetim encorpado e veludo. As calças serviram de base para terninhos, jaquetas e trench coats. A cartela de cores foi um espetáculo: o que de longe parecia preto, sob as luzes se revelava uma mistura furta-cor de verde, amaranto, marrom e azul, que brilhou muito nos vestidos pontilhados por cristais.
Ao invés de volumes exagerados, a grife focou em formas arquitetônicas. Vestidos ganharam recortes geométricos precisos e decotes estruturados. Com bordados minuciosos e estampas animalier que apareciam de forma super sutil, Silvana reafirmou que domina a herança da marca.
Que segundo dia foi esse, hein? Tivemos desde contos de fadas até desfiles abertos ao público nas ruas do Marais. Mas segura a emoção e não vai embora, viu? Nossa cobertura ainda não acabou e tem muito mais desfiles incríveis vindo por aí para a gente analisar juntos!