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Met Gala 2026

Met Gala 2026

22 Mai

Do tapete do Metropolitan Museum aos after parties, veja os looks mais comentados, os grandes acertos e os detalhes que dominaram a madrugada.

Todo ano o Met Gala entrega polêmica, mas a edição de ontem deixou um recado muito claro: quando o dress code exige criatividade de verdade, nem todo mundo consegue acompanhar. Com o tema Fashion Is Art, o tapete se dividiu entre produções memoráveis e looks que, embora bonitos, eram vazios de narrativa. No fim, quem não serviu história, acabou virando apenas figurante.

A noite

A primeira segunda-feira de maio (4) fez de Nova York, mais uma vez, o centro do mundo fashion. O tema deste ano era amplo e perigosamente fácil de errar, mas, surpreendentemente, boa parte dos convidados entendeu o recado: não bastava estar elegante, era preciso construir imagem, referência e impacto ao subir a escadaria do Metropolitan Museum.


Nesta edição, a escadaria ganhou um ar ainda mais artístico, cercada por diferentes inspirações. Enquanto algumas referências apontam para os jardins do norte da Itália e a estética romântica do Renascimento, o design de Raúl Ávila evoca visualmente as pinceladas de Van Gogh. Para mim, há ainda um toque inegável dos jardins de Monet. Independentemente da fonte exata, sou apaixonada pelos três temas, e o resultado ficou elegante e em perfeita harmonia.

Os looks que realmente entenderam o tema

A obra pintada à mão


Emma Chamberlain entregou um look divo e um dos mais bonitos de analisar nos detalhes. O Mugler foi inspirado em Van Gogh, por isso aquela mistura de cores parecia quase uma tela viva. E não foi só impressão, o vestido foi todo pintado manualmente, levou horas de trabalho e ainda precisou de dias secando até ficar pronto.

Eu ouvi cinema?


Sabrina Carpenter apareceu com um Dior super delicado, mas o que fez o look virar um dos meus favoritos foi a ideia simplesmente genial: longe de ser apenas uma estampa inspirada no filme Sabrina, o vestido foi realmente construído com negativos originais de cenas do longa de Audrey Hepburn. Ou seja, ela literalmente vestiu cinema. Eu amo quando o look é feminino e ainda entrega uma história dessas por trás. Ficou chique, diferente e muito inteligente.

Uma linda camponesa


Brincadeiras à parte, Hunter Schafer parecia uma verdadeira obra ambulante. Prada buscou referência direta em Mäda Primavesi, pintura de Gustav Klimt conhecida justamente pelas flores delicadas, pelos tons suaves e por essa aura romântica. E foi exatamente isso que ela entregou. Um visual leve e sofisticado daquele jeito que não precisa exagerar para ser lembrado.

A rainha das obras


Conhecida por transformar qualquer aparição em performance, Heidi Klum levou isso ao Met Gala ao surgir como uma escultura inspirada em Veiled Vestal. O visual criado por Mike Marino usou látex e texturas de falsa pedra para deixar a pele com aparência de mármore esculpido. E, sinceramente, ficou incrível porque era dramático e teatral sem medo de parecer excessivo. Foi uma das entradas que mais fizeram a escadaria parecer uma verdadeira exposição viva.

Nem sempre é fantasia…


Bad Bunny apareceu irreconhecível com prótese facial, cabelos brancos e bengala, e esse foi um daqueles casos em que o look chamou atenção pela entrega total ao conceito. A produção criada por Mike Marino, dialogava com o corpo envelhecido, um dos 13 corpos temáticos da exposição, então não era só caracterização aleatória. Existia uma ideia muito clara de tempo, memória e transformação ali, igual ao seu último álbum.

A era cowboy chegou ao fim


Dez anos após sua última aparição, Beyoncé retornou com o look que todos esperavam. O naked dress anatômico de Olivier Rousteing surgiu coberto de pedrarias que desenhavam a estrutura do esqueleto humano, inspirado em Visitante (1944), de Caroline Durieux. E, como se não bastasse, ela ainda trocou para um segundo look de Robert Wun, com mais de 318 mil cristais Swarovski bordados. Foi uma volta poderosa, glamourosa e pensada para ser um dos grandes momentos fashion do evento.

Entre os maiores acertos da noite ainda estiveram:

Para quem achou que os acertos paravam por ali, temos mais alguns nomes de destaque que elevaram o nível da noite. Kylie Jenner (Schiaparelli) em uma referência direta à Vênus de Milo, enquanto Rihanna (Maison Margiela) entregou conceito puro com a ideia de “sair da concha”.


O surrealismo escultural também foi o ponto alto de Lisa (Robert Wun), que surpreendeu com a estrutura de braços postiços sobre os ombros, e de Hailey Bieber (Saint Laurent) que trouxe uma releitura entre Yves Saint Laurent e Claude Lalanne, com metais moldados.


Tivemos ainda Kendall Jenner, que conseguiu a proeza de transformar um vestido inspirado na clássica camiseta branca da marca pela Gap, de Zac Posen, em uma releitura da escultura Vitória de Samotrácia, e Gracie Abrams, que mergulhou no ouro de Chanel ao homenagear o quadro Retrato de Adele Bloch-Bauer I.

Para fechar com chave de ouro, Madonna reviveu a estética sombria de Leonora Carrington. Anok Yai personificou Madonna's Tears como uma estátua viva de bronze e lágrimas esculpidas. Já Yu-Chi Lyra Kuo reinterpretou a Vitória de Samotrácia em origami.

Robert Wun foi o nome da noite?

Se houve um designer que dominou o discurso conceitual do Met Gala 2026, esse nome foi Robert Wun. O estilista foi o cérebro por trás dos looks como Lisa, Jordan Roth, Nichapat Suphap, Naomi Osaka e assinando até o segundo vestido da Beyoncé.


O ponto em comum? Aquelas silhuetas ilusórias, mãos postiças e estruturas que confundiam o olhar, transformando cada aparição em uma performance. Mas ele não estava sozinho nessa busca pelo lúdico. Outras maisons que ditaram o ritmo da noite foram:


  • Dior, Saint Laurent, Prada, Maison Margiela e Schiaparelli.

As celebridades pararam de buscar apenas a “marca bonita" ou o vestido óbvio. Elas quiseram vestir história, conceito e, acima de tudo, arte que desafia a lógica.

Acho que o convite se perdeu

Se alguns gabaritaram o tema, outros esqueceram que o dress code era arte, não apenas gala. Entregaram um visual digno de Oscar, mas básico demais para a noite.


  • Rosé, estava impecável, mas entregou algo que já vimos mil vezes. O look trazia uma leve referência à obra Os Pássaros, de Georges Braque.
  • Jisoo e Nicole Kidman serviram beleza, mas sumiram na escadaria diante de produções maiores.
  • Lauren Sánchez trouxe o Retrato de Madame X, mas o resultado pareceu datado.
  • Já Alexa Chung (Monet), Charli XCX (Van Gogh), Doja Cat e Gigi Hadid ficaram no óbvio, sem sustentar a narrativa artística que a noite pedia.


E como se não bastasse, tivemos convidados cruzando o tapete de Zara. O problema não é a marca em si, mas a escolha: em um ano que celebrava a obra de arte, aparecer de fast fashion soou como algo mercadológico, que ignorou o tema e demonstrou um desleixo com o conceito da exposição.

E o after party?

Como de costume, a noite não terminou na escadaria. Assim que as luzes do museu se apagaram, o foco mudou para o espetáculo. Se o red carpet foi sobre conceito, o after foi sobre celebrar a liberdade com muito brilho, transparência e referências icônicas.


Sabrina Carpenter foi a protagonista da madrugada. Além da apresentação surpresa, ela substituiu o Dior por um Versace, revivendo a icônica coleção de 1991 inspirada na Pop Art de Andy Warhol. O vestido exibia as serigrafias de Marilyn Monroe e James Dean, unindo os maiores ícones do cinema em uma silhueta sexy. Foi o fechamento perfeito, reforçando o diálogo entre moda e arte de um jeito vibrante e super fresh.

O Met Gala 2026 provou que ainda temos salvação na moda. Foi uma edição rara, onde o conceito realmente ganhou vida através de pinturas, esculturas e experimentações anatômicas. Eu saí dessa cobertura completamente obcecada por cada detalhe. E você, amou ou odiou o Met Gala 2026?

Graduanda em Moda, formada em Consultoria de Imagem e Coloração Pessoal. Fascinada pelo universo fashion, tendências e pesquisas de moda. Apaixonada por fotografia, viagens, música, Disney e Van Gogh.


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