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DESIGN, ARTE E MODA

26 Jul

Conexões que inspiram a marca Ginger por Marina Ruy Barbosa.

Todo semestre, os amantes da moda aguardam ansiosamente a chegada de um grande e prestigioso calendário. Para quem vive e respira a indústria, aqueles compromissos são muito mais do que shows, apresentações ou eventos – as semanas de moda vendem sonhos, conceitos e uma maneira de existir no mundo. A visão de grandes designers é materializada e está ali, ao nosso alcance. Seja em Paris, Milão, Londres ou São Paulo, o nosso coração bate mais forte quando entra o primeiro look na passarela.

A cada estação, somos mergulhados em diferentes propostas que vêm das mais diversas inspirações. Mas o que move as mentes brilhantes por trás de grandes coleções? Como fundadora de uma marca (que faz questão de fazer parte do processo de criação) e Diretora de Moda do ZZ MALL, é natural que essas reflexões se tornem cada vez mais frequentes. Cada um de nós é tocado por determinados assuntos - ainda bem! Mas me parece evidente que moda é cada vez mais instigada pela arte: vemos coleções que exalam trabalhos artísticos e peças de roupas ganharem status de obras.

Desde o início da Ginger, por exemplo, parte da nossa proposta é viver submersa no mundo da arte e do design. Nosso moodboard está repleto de imagens de esculturas, quadros, gravuras, elementos de arquitetura e até livros. O cuidado com a estética e com o aspecto intelectual caminham juntos nesses universos, tornando a colaboração natural e esperada.

Para alguns, a conexão entre moda e arte pode parecer forçada, mas ela pode ser observada e vivida sob vários aspectos. Um grande exemplo é o lindo trabalho por trás da indústria da alta moda. A relação fica ainda clara para quem procura descobrir os processos de produção por trás de grandes maisons: o método meticuloso e manual por trás de produtos icônicos, as décadas (as vezes séculos) de experiência com diferentes materiais, as técnicas centenárias de artesãos que são passadas de pais para filhos. É possível dizer que isso não é arte?

Para quem não valoriza a expertise e a excelência, basta olhar as conexões mais claras: as amadas colaborações entre casas de modas e artistas, que movimentos milhões e milhões de vendas ao redor do mundo. Alguém se lembra da icônica colaboração entre Schiaparelli e Salvador Dalí? Outra mais recente: quando Raf Simons se inspirou no trabalho do fotógrafo Robert Mapplethorpe durante a Pitti Uomo, em 2017. Ainda não está convencido(a)? Basta olhar a construção, o corte e a modelagem apresentadas por grandes gênios do design, como Phoebe Pilo, Pierpaolo Piccioli e Margiella.

É possível encontrar a arte em toda a moda, da mesma forma que é possível tornar moda uma arte. Uma dança delicada e harmônica entre dois universos que, a meu ver, se apresentam melhor em um dueto do que em um solo.


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